Carolina Maria de Jesus – Diário de Bitita

O monólogo, representado pela sensível atriz Andréia Ribeiro, conta a história de Carolina de Jesus, uma das primeiras escritoras negras do Brasil, tida hoje como uma das mais relevantes para a literatura nacional.

 

Carolina foi uma escritora improvável. Para sustentar sua família, catava papel pelas ruas de São Paulo. Dentre o material que revirava no lixo todos os dias, encontrava obras de grandes autores e papéis que utilizava para registrar o seu cotidiano e os seus pensamentos. Contraditoriamente, sua condição de catadora de papel a permitiu ler e produzir literatura diariamente. Seu primeiro livro, “Quarto de Despejo – Diário de uma Favelada”, publicado em 1960, foi o resultado da reunião de seus diários. A obra foi traduzida em 16 idiomas e vendida em mais de 40 países, tornando-a conhecida em todo o mundo, enquanto no Brasil, ainda hoje, muitos desconhecem o seu legado. A esta obra se seguiram outras três publicadas em vida, havendo outros tantos textos ainda inéditos.

Bitita denunciou o preconceito, a segregação, a miséria, a violência e a opressão de sua época, através de uma reflexão social e política ainda hoje tão necessária. Citada quase sempre como precursora da chamada literatura de periferia, Bitita vai além. Ao contar a sua história, Carolina de Jesus conta a história de muitas outras mulheres que, assim como ela, apostam em um sonho para vencer suas realidades sufocantes. 

A primeira atriz a representar Carolina de Jesus nos palcos foi a inesquecível Ruth de Souza, que, ainda em vida, abençoou esta nova montagem sobre a vida de Bitita ensinando a Andréia Ribeiro como amarrar o turbante na cabeça, da mesma forma que a própria Carolina de Jesus fez com D. Ruth. Carolina de Jesus Vive!

Adaptação e direção: Ramon Botelho

Maio de 2019

  • Facebook
  • Instagram

 © Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução de qualquer imagem sem a expressa autorização da fotógrafa - Lei nº 9.610/98