
Antes de fotografar com a máquina, eu já fotografava com os olhos. Algumas cenas, algumas pessoas, vivências que me marcavam e eu desejava guardar comigo para sempre.
Quando peguei numa máquina fotográfica, me encantei com a possibilidade de materializar esses registros mentais da maneira que os enxergava. Mas foi fotografando que descobri a verdadeira realização desse ofício para mim: os laços de afeto que se criam nesta troca entre fotógrafo e fotografado, em que se aprende muito sobre o outro, mas ainda mais sobre si mesmo.
A partir do momento em que me reconheci como fotógrafa documental humanista, inspirada pela pedagogia do Bem Querer do mestre João Roberto Ripper, voltei o meu olhar para uma paixão que carrego desde jovem: a cultura popular brasileira.
Venho ao longo dos últimos anos desenvolvido um projeto de pesquisa e documentação das manifestações culturais que pulsam nas ruas, nos mercados, nos terreiros, nos batuques, nos morros e nos quintais do nosso país.
Exploro identidades culturais locais do Brasil, revelando histórias, personagens e territórios diversos para falar do que acredito: da afirmação de um país plural, poético e político, criativo e transgressor; de uma existência com mais escuta e empatia; da construção de sentidos coletivos de vida que utilizam a alegria, a festa e a fé para enfrentar o desencanto do mundo.
Com um olhar carregado de afeto para grupos comumente relegados ao esquecimento e à marginalização, livre dos estereótipos e preconceitos dominantes que simplificam suas realidades e empobrecem suas existências, busco revelar a riqueza de um Brasil que é vivo, ambíguo, contraditório, espontâneo, afetivo, transgressor, inventivo, poético e ancestral.
Seus modos de ser e de viver, seus costumes, sua religiosidade, suas tradições, seus ritos, suas festas, que costuram todo um sentimento de pertencimento a que costumamos chamar Brasilidade.
Também fazem parte do meu trabalho a fotografia de eventos e espetáculos, sempre sob a ótica do sentimento de pertencimento, da preservação da memória e da luta por uma sociedade mais igualitária, humanizada e solidária.
Bem-vindos.
Karen Eppinghaus