Menção honrosa no Concurso de Fotografia sobre o Patrimônio Imaterial na América Latina
- Karen Eppinghaus
- 16 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Em dezembro/2026 foram anunciados os vencedores do concurso "Miradas al Patrimonio Cultural Inmaterial" promovido pelo Centro Regional para la Salvaguardia del Patrimonio Cultural Inmaterial de América Latina - CRESPIAL, órgão vinculado à UNESCO, que tem como objetivo salvaguardar e fomentar o patrimônio cultural imaterial de seus países membros, contribuindo para a promoção da diversidade cultural, do desenvolvimento sustentável e da governança cultural.

A iniciativa teve como objetivo estimular a reflexão, a documentação e a valorização do Patrimônio Cultural Imaterial na América Latina, utilizando a fotografia como instrumento de expressão artística e de sensibilização do público.
Foram mais de mil inscrições retratando práticas culturais vivas dos 19 estados membros do Crespial (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai e Venezuela).
“É um convite para observarmos com respeito as manifestações culturais vivas dos nossos povos e para reconhecermos seu valor para a diversidade e coesão social da América Latina”, disse o diretor geral do Centro, Owan Lay.
O Brasil teve uma participação expressiva no concurso, respondendo por cerca de 50% dos candidatos, e se destacou no resultado, levando 6 das 12 premiações. Uma das menções honrosas ficou com a minha imagem Dia de Iemanjá, que é resultado da documentação do cortejo realizado em 2025 pelo Terreiro de Candomblé Ilê Axé Icimimó Aganjú Didê, localizado em Cachoeira/BA, para a entrega do presente das águas em honra à Yemanjá.

Tombado pelo IPAC (Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia) e pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), o Icimimó é hoje reconhecidamente Patrimônio Cultural Brasileiro. Testemunho vivo da tradição nagô na Bahia, o Ilê preserva, desde 1736, as práticas, tradições e saberes herdados de seus ancestrais que, aqui nessa terra, fizeram do terreiro seu refúgio sagrado para preservar a cultura, a memória, a história e a espiritualidade africana.

Todo ano, para cumprir sua obrigação de Iemanjá, a família do Ilê Axé Icimimó Aganjú Didê refaz o mesmo caminho percorrido há décadas pelos mais velhos até a Pedra da Baleia, no Rio Paraguaçú, cantando e louvando essa divindade que é considerada mãe de todas as cabeças.
Do ilê, na zona rural da cidade, sai o cortejo composto por dezenas de mulheres enfileiradas que carregam sobre as cabeças os balaios de flores feitos em sua homenagem na madrugada anterior e entoam repetidamente o cântico "Yemanjá, sereia, eu vou pra pedra da baleia!". O calor, o cansaço e o abatimento são superados com muita força, determinação e fé, perpetuando este ato de resistência que é, ao mesmo tempo, afirmação da vida, honra à ancestralidade, enfrentamento da crescente intolerância religiosa na região, valorização da identidade e tradições e preservação para as novas gerações, que já dão seus primeiros passos nos fundamentos tradicionais fincados sobre essa terra sagrada.
Uma honra poder contribuir para a preservação da memória do nosso povo, mostrando à toda a América Latina e ao mundo a força da nossa fé e a beleza das nossas tradições.


